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CD presta homenagem à professora
Cirurgião-dentista baiano renomado Dr. Benedicto Alves de Castro Silva presta aqui uma homenagem a também renomada professora, Dra. Maria Thereza de Medeiros Pacheco. Dr. Benedicto conta que conheceu a professora Maria Thereza, em 1954, quando trabalhava no Hospital Aristides Maltez. Nessa mesma época, trabalhavam no HAM, três personalidades, hoje companheiros do nosso Instituto de História da Medicina e Ciências Afins: Dr. Waldo Robatto seu colega de turma, Dr. Santos Pereira e um dedicado estudante de medicina o Dr. Fernando Pedroza.
“Maria Thereza era o destaque do Hospital. Primeira médica residente do HAM. Naquela época já era uma excelente obstetra e ginecologista. Deixou a obstetrícia para dedicar-se mais a medicina legal. Realizou o último parto na Sra. D. Renilda, atualmente morando em Paris, hoje cidadã francesa” relata Dr. Benedicto amigo da professora que faleceu em maio deste ano, porém antes de falecer, a Alagoana que já vivia na Bahia há mais de 50 anos, fez história na saúde baiana, como relata o artigo abaixo escrito por Dr. Benedicto Silva.
 
Profa. Maria Thereza de Medeiros Pacheco.
 
Maria Thereza lembro-me bem das nossas agradáveis reuniões do G-7 Certa tarde conversamos sobre as parcas, as deusas gregas que decidem os destinos dos homens, suas profissões, seus casamentos e, sobretudo, a duração de suas vidas. A parca Clotos preside ao nascimento, A parca Láquesis mede a duração da vida e oferece as oportunidades de trabalho, e a parca Átropos corta o fio da vida.
 
Ao seu nascimento na Usina Rio Branco, na Atalaia, em Alagoas, com certeza esteve presente a Parca Clotos. Razão da sua beleza feminina com porte de mulher grega, de sua sabedoria helênica, própria dos atenienses, e da sua bravura e coragem espartanas, que lhe acompanharam por toda a vida.A parca Láquesis deu-lhe as oportunidades: de formação, de esperanças e de vitórias na sua vida profissional. Foi ela que lhe enviou primeiro, a São Miguel dos Campos, depois a Penedo e Maceió.
 
Mas você queria mais. Por isso pegou um Ita no Norte e veio para a Bahia morar e estudar na tradicional Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus. Aprovada no vestibular, seis anos depois recebeu o diploma de médica e pôde dizer, com toda a força dos seus pulmões e com alegria no seu coração, tal como fizera o imperador Júlio Cesar: Veni, Vidi, Vici (vim, vi e venci). Láquesis assistiu a outras vitórias suas. Primeira catedrática da Universidade Federal da Bahia e primeira mulher no mundo a dirigir um Instituto Médico Legal, além de professora de Direito Penal da Faculdade de Direito da UFBA.
 
Como diretora do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, Maria Thereza, criou, por sugestão minha, o Departamento de Odontologia Legal, depois do famoso caso do Tucano, o primeiro de odontologia legal no Brasil – e o terceiro no mundo –, cujo crime ocorreu em 5 de julho de 1972. Os outros dois casos anteriores foram: o da Duquesa D´Aleçon, em 4 de maio de 1897, em Paris, e o segundo, em 5 de fevereiro de 1909, em Santiago do Chile, o de Ezequiel Tapia.
 
Infelizmente chegamos à terceira parca, Átropos, a mais temida por todos nós. Aquela que corta o fio da vida. Maria Thereza, para tristeza de todos nós, a parca Átropos tomou o leme do seu barco e o levou para aquele porto, que o seu colega médico e cirurgião militar, o repentista e poeta Laurindo Rabelo, na sua poesia Adeus ao Mundo, chama de imenso, nebuloso e sempre noite, porto da eternidade.Ficam a saudade e a lembrança da mulher, da mestra, que, tanto na cátedra de Medicina e de Odontologia Legal , quanto no Conselho Regional de Medicina, manteve os princípios da ética e da moral e se pautou pela tese de Aristóteles de que “ a lei é a razão sem paixão”
 
Benedicto Alves de Castro Silva - CRO-BA 011.

 
 Fonte:CROBA
 
 
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